ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO

Arthur Bispo do Rosário nasceu em Japaratuba, Sergipe, em 1911. Sabe-se que foi fuzileiro da Marinha e pugilista, chegando a campeão latino-americano da categoria peso leve. Foi detido várias vezes por insubordinação e acabou se desligando da Marinha de Guerra em 1933.

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO – Foto Walter Firmo

No Rio De Janeiro desenvolveu diversas atividades profissionais: funcionário da Light, empregado doméstico, segurança, porteiro de hotel, sempre em troca principalmente de moradia. Foi internado pela primeira vez em hospital psiquiátrico em 1938 após “delírio místico” por dois dias nas ruas. Em 1939, transferido para a Colônia Juliano Moreira, passou a desenvolver o seu processo criativo com a missão de reconstruir o mundo em miniaturas. A obra, “inspirada por anjos e pela Virgem Maria”, seria apresentada ao todo poderoso “no dia do Juízo Final”.

Ele nunca se considerou um artista. A viagem estética de Arthur Bispo do Rosário era uma “missão” ditada por seres do além. Quando alguém perguntava sobre sua origem ele desviava o assunto: era um enviado dos céus, um cristo. O próprio. E arriscava: “Um dia eu simplesmente apareci no mundo”.

Em certas épocas, o Bispo jejuava para purificar-se e tornar-se transparente a mando de Nossa Senhora, segundo suas palavras.

Morreu aos 78 anos, de infarto do miocárdio e arteriosclerose, na enfermaria da Colônia.

O Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro, reúne hoje o conjunto da sua obra, que atualmente é referência das artes plásticas no Brasil e no exterior.

Anúncios

Oficina gratuita de teatro no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea

​O ator João Miguel, em circulação nacional com o espetáculo ‘Bispo’ e a diretora Cristina Moura realizam oficina gratuita de teatro nos dias 2, 3 e 4 de maio no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, em Jacarepaguá no Rio de Janeiro​.

 

O ator João Miguel, em circulação nacional com o espetáculo ‘Bispo’ e a diretora Cristina Moura realizam oficina gratuita de teatro nos dias 2, 3 e 4 de maio no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea

Ministério da Cultura

apresenta

Oficina gratuita de teatro

uma ação do Projeto

 

O ator João Miguel, em circulação nacional com o espetáculo ‘Bispo’ e a diretora Cristina Moura realizam oficina gratuita de teatro nos dias 2, 3 e 4 de maio no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea.

A proposta da oficina é trabalhar jogos e dinâmicas de criação e investigação que tenham como frente a memória e a palavra.

Como ponto de partida e estímulo serão usados trechos do ‘Livro sobre O Nada’ de Manoel de Barros, suas possibilidades imagéticas e seus desdobramentos poéticos.

Ferramentas diversas serão visitadas: aquecimento físico, exercícios de espacialidade, caminhos da memória, princípios do trabalho de palhaço, princípios do trabalho de Healling, exercícios sensoriais e o casamento e combinação de todos esses durante os dias de oficina.

Em exercícios simples e lúdicos os participantes serão levados a explorar suas formas de expressão e a investigar corpo e espaço.

O objetivo da Oficina é simples, através desses estímulos e propostas trabalhar a complementariedade das diferenças dentro da dinâmica proposta e de como o grupo interage.

Quando

dias 2, 3 e 4 de maio (terça, quarta e quinta), das 14h às 17h.

Onde

No Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea

Polo Experimental de Convivência, Educação e Cultura

Estrada Rodrigues Caldas, 3400

Taquara – Jacarepaguá

Capacidade

20 participantes

Público alvo

Jovens e adultos interessados em teatro, atores ou não, residentes na região da Barra e Jacarepaguá – Rio de Janeiro

Inscrições

Dias 25 e 26 de abril (terça e quarta), das 10h às 16h, no Polo Experimental de Convivência, Educação e Cultura.

Vagas limitadas!!

Informações

21 98242-9960

João Miguel

João Miguel Foto: GShow

Com mais de trinta anos de carreira, já participou de inúmeros filmes, espetáculos teatrais, minisséries e novelas. Deu início à sua carreira de ator aos 9 anos, no programa de televisão Bombom Show, de Nonato Freire. Entre 1990 e 1996 João Miguel foi integrante do Grupo Piollin (João Pessoa), onde atuou como produtor do espetáculo Vau da Sarapalha, e iniciou as apresentações como Palhaço Magal. Ainda como Magal, apresentou-se no Circo Picolino e em hospitais públicos, favelas e ruas de Salvador e do interior da Bahia.

No teatro, João Miguel atuou em diversas montagens, entre elas, espetáculo “Bispo”, com direção do próprio João Miguel (2016); “Só” (2009), direção: Alvise Camozzi; De 2001 até 2006 “Bispo”, com direção de Edgard Navarro; de 1997 a 1999, integrou o elenco da Novíssima Poesia Baiana, com grupo o Los Catedráticos, com direção de Paulo Dourado; “A Ver Estrelas” (1997), com direção de João Falcão; “Carne Fraca” (1997), com direção de Fernando Guerreiro; “Fala Comigo Doce como a Chuva” (1993), com direção de Paulo Henrique Alcântara; “ Viva o Cordão Encarnado” (1991), com direção de Luis Mendonça; “Barrela” (1989), com direção de Francisco Milani.

João Miguel já foi contemplado com mais de vinte prêmios, dentre os quais se destacam: o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor ator em cinema, que ele ganhou em 2015, com o filme ‘A hora e a vez de Augusto Matraga’; prêmio de melhor ator no Festival do Rio de 2005, 2007 e 2011, com os filmes Cinema, Aspirina e Urubus; Estômago e A Hora e a Vez de Augusto Matraga.

Prêmio da Educação Nacional do Festival de Cannes, em 2005, para o filme Cinema, Aspirina e Urubus. Prêmio de melhor ator na Mostra Internacional de Cinema de 2005, com Cinema, Aspirina e Urubus. O júri da mostra, que normalmente não premia atores, criou esta categoria especialmente naquele ano para premia-lo. Prêmio de melhor ator no Festival de Guadalajara de 2005, com Cinema, Aspirina e Urubus. Prêmio de melhor ator no Festival de Valladolid em 2008, com o filme Estômago. Prêmio de melhor ator no Festival de Cinema Brasileiro em Paris em 2009, com Se nada mais der certo. Prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema Brasileiro em Miami em 2009, com Se nada mais der certo. Entre dezenas de outros prêmios pelo mundo. Ainda em 2016, João Miguel protagonizou a primeira série original brasileira do Netflix, chamada “3%”.

Cristina Moura

Cristina Moura

É diretora de espetáculos de teatro e dança contemporânea, coreógrafa, atriz e intérprete. Entre 1996 e 2003 viveu na Europa e integrou o Les Ballets C de La B de Alain Platel, entre outras Cias. Em 2003 cria seu solo “like an idiot”, de grande êxito, que entre 2004 e 2011 foi mostrado em diversos países da Europa, América Latina, Estados Unidos no Canadá e no Brasil.

Em 2009 dirige “A mulher que matou os peixes… e outros bichos”, premiada peça com Mariana Lima, Renato Linhares e Luciana Froes. É colaboradora de Enrique Diaz em “Ensaio.Hamlet” e “Gaivota” e em 2010 co-dirige “OTRO”, do Coletivo Improviso, com este diretor, peça que fez turnê na Europa e no Brasil. Em 2011 dirige “O menino que vendia palavras”, com Du Moscovis e elenco de 5 atores. Em 2012 cria o duo “peça coração” com Volmir Cordeiro. Em 2013 assina a direção de “Philodendrus, uma conferência imaginária”, espetáculo de teatro dança para 6 atores. Co-dirige “Nós de borboletas”, com Emilio de Mello. Colabora com Lia Rodrigues Cia de Danças. Em 2014 dirige “Retratos” solo para Carolina Cony.

Entre 2015 e 2017 prepara os elencos das novelas da Rede Globo: Além do tempo, A Regra do Jogo, Supermaxx, Pega Ladrão, Lei do Amor, Rocky Story e A Força do Querer em parceria com Eduardo Milewicz. Em outubro  de 2016 apresenta “Exercícios para Sr. Silva”, para o Tempo Festival, no Oi Futuro Flamengo. Em 2016 colabora com “Os Realistas” com direção de Guilherme Weber, no elenco Deborah Bloch, Emilio de Mello, Fernando Eiras e Mariana Lima e “A menina do dedo torto” com direção de Pedro Bricio.

Em setembro de 2016 dirige a peça “Nu de botas”, adaptação de texto homônimo de Antonio Prata que estreia no CCBB-Rio, grande sucesso de público e crítica. “Nu de Botas” cumpre turnê pelo Brasil em 2017.

Por “ Nu de botas” Cristina Moura é agraciada com o Premio de Melhor Direção no Premio de Humor.

Em 2017 colabora com Emilio de Mello no espetáculo “Estranhos.com”. Ainda em 2017 estreará seu novo solo: “Still Life”.

Apoio: Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Secretaria Municipal de Saúde e Bispo do Rosário Associação Cultural.

Patrocínio: Grupo Energisa e Faculdade Baiana de Direito, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Realização: Coletivo Bispo, Máquina Cultural e Ministério da Cultura – Governo Federal – Brasil – Ordem e Progresso.

facebook.com/coletivobispo
coletivobispo.wordpress.com
facebook.com/museubispodorosarioartecontemporanea
museubispodorosario.com

Participantes da Oficina de teatro “O ator presente: entre cena, graça e escuta” comentam a experiência

O Coletivo Bispo promoveu a oficina de teatro gratuita: “O ator presente: entre cena, graça e escuta”, ministrada pelo ator e diretor João Miguel e pelas diretoras colaboradoras, Cristina Moura e Juliana Jardim, no período de 5 a 9 de novembro/2016, no Teatro Castro Alves, para público de baixa renda  (atores, estudantes de teatro e interessados em teatro de projetos sociais e/ou grupos locais).

A partir de longa trajetória de cumplicidade, intensificada por trabalho na peça Bispo – projeto idealizado pelo ator João Miguel – , a oficina teve a coordenação do próprio João Miguel e de suas parceiras Cristina Moura e Juliana Jardim. Dedicada a atores amadores e profissionais, professores de teatro e outros profissionais das artes cênicas interessados no trabalho de ator, a oficina teve como eixo O livro das ignorãças, de Manoel de Barros, com o objetivo de experimentar os temas da presença, da exposição na relação entre público e cena, aprofundando a escuta de si, do outro e do coletivo, permeada pela graça em seu amplo espectro, que vai além do risível. Foram também exploradas as relações entre corpo e palavra.

Foto Joana Damazio

 

Para a professora, Silvânia Cerqueira, “a oficina foi muito gratificante. Descoberta incrível da minha percepção e da propercepção”.
O ator, Ramon Santana, resumiu em algumas palavras o que a oficina representou em sua vida. “Felicidade, amizades, sintonias, pessoas, alívios, segredo, graça, liberdade, surpreendente, olhar aceso, compromisso com EXISTIR! Foi como uma vivência de 20 anos, um salto quântico. Após cada dia da oficina me tornava um ser completamente novo, diferente de tudo que jamais pensei ser, as atividades foram muito prazerosas, e proporcionaram um reencontro com o nosso verdadeiro ser, das mais maravilhosas experiências da minha vida, muito obrigado por me fazerem sentir-me ESPECIALMENTE COMUM! Muito obrigado!”. 
 
O ator e músico, Leandro Rocha, contou que “a experiência na oficina foi algo enriquecedor, a generosidade dos três professores em dividir seus conhecimentos e conduzir de maneira leve e natural o aprendizado fez toda a diferença. A cada dia da oficina fomos surpreendidos com vivências que enriqueceram nossas vidas pessoais e profissionais. O grupo de participantes estava empenhado em viver a experiência. Parabenizo a equipe pelo projeto”.
 
Para a atriz, Karla Crislaine, “a oportunidade de experienciar o encontro promovido pela oficina, pode ser expressa pelo verso “voar fora da asa” do poeta Manoel de Barros no ‘livro das ignorãças’, utilizado também como material de leitura para a realização de algumas atividades. Desfrutei de momentos líricos a partir dos exercícios práticos e teóricos, troquei conhecimento com diversas óticas sociais/pessoais que, proporcionaram, também, a observação deste papel de quem trabalha com arte como um agente social de reconhecer-se em diversas realidades. Sem dúvida, voei fora da asa! Permeei distintas realidades nos relatos e construções de seus interlocutores, voei e não saí de mim!”.

Confira o depoimento do artista-educador, Evaldo Macarrão: “Aticei a coragem de um caçador e em tempos certeiros pude aprender e estou aprendendo..!Ao entrar na sala, foi ao mesmo tempo me conectar com algo que me faltava, gente de teatro, gente de muitas energias…Fiquei solto e ao mesmo tempo preocupado no que fazer, pra onde ir, o que estava fazendo ali ?..As respostas foram imediatas, certeiras na certeza de que nada é por acaso, estive nessa oficina por que tinha realmente que estar, João com a sua sensibilidade me fez me conectar profundamente com o meu interior, o meu eu, o que está além do meu eu, no meu orí para o meu xá. Foi lindo, sagrado, magico e muito poético. Juliana com graciosidade me atiçava a me aprofundar cada vez mais nos exercícios , era empolgante a sua forma de dominar determinadas dinâmicas lúdicas direcionadas para cena. Cristina me provocava ao ator que sou na desconstrução dos rótulos, na face, no corpo, na fala, tudo de forma  direta, na ideia do certo para o incerto no que os três faziam lindamente me deixando junto com restante do grupo confuso e entendido ao mesmo tempo, pois bebíamos da fonte de Manoel de Barros no “O Livro das ignorãças”. Enfim, foi lindo, foi preciso… espero muito poder aprender outras vezes e  quem sabe poder trabalhar com essas feras!! Foi bom conhecer João Miguel, quem eu já tinha total admiração e passei até mais ainda, passei a ter muito respeito. Adupé!!”. 

Apoio Cultural: Teatro Castro Alves

Patrocínio: Grupo Energisa e Faculdade Baiana de Direito, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Realização: Coletivo Bispo, Máquina Cultural e Ministério da Cultura – Governo Federal – Brasil – Ordem e Progresso.

‘É um trabalho desafiador’, diz Pupillo sobre a trilha sonora do espetáculo Bispo

A criação da trilha sonora do espetáculo Bispo é o resultado de conversas e trocas de ideias e experiências que ajudam o ator, João Miguel, e os espectadores a entrarem no universo místico, profundo e criativo do artista plástico Arthur Bispo do Rosário. Romário Menezes de Oliveira Jr., mais conhecido na cena artística como Pupillo foi um dos responsáveis, ao lado de André T. pela criação desse mundo acústico que passeia entre as memórias de Bispo e de um tempo. Ao Blog do Coletivo Bispo, Pupillo, que também atua como baterista da banda Nação Zumbi, produtor musical e compositor de trilhas  para cinema, contou como foi a construção desse trabalho. Confira.

Foto Ricardo Prado

Foto Ricardo Prado

Como a trilha sonora influencia no trabalho dos atores em cena e para o resultado final? Em quanto tempo geralmente um projeto fica pronto? 

A trilha sonora, no caso do Bispo, vira um personagem que ajuda a transmitir toda carga emocional. É um trabalho desafiador, pois se trata de um personagem com diversas manifestações sensoriais, conflitantes e impregnadas de memórias que são ativadas e atualizadas de acordo com sua condição psíquica.

O que você levou em consideração para a construção deste trabalho? 

O que mais levei em consideração foram as conversas no intuito de construir uma sonoridade rica em sentimentos, mas discreta em elementos, para que o Bispo tivesse ao seu dispor, mais uma ferramenta de apoio ao que João quer passar com essa linda montagem.

Como está sendo o processo criativo para construção da trilha de Bispo? 

 Da minha parte, procuro trabalhar em cima das ideias de João, amplificando sua intenção e tentando traduzir em som a linguagem que ele desenvolveu ao longo do processo de criação.

Qual é sua relação com João Miguel, já trabalharam juntos em outras ocasiões? 

 Tenho com João uma relação de irmandade e admiração mútua. Existe um número imenso de conceitos e ideias sobre nossa conduta e posicionamento artístico em comum. Admiro seu trabalho como um todo, porque, antes de tudo, parte da pessoa humana íntegra e comprometida com a verdade que ele carrega consigo…E muito mais!

Como foi o seu primeiro contato com a obra de Arthur Bispo do Rosário? O que mais te impactou? 

Através de uma grande amiga do Rio de Janeiro há mais de dez anos, quando vi um objeto que era um carrossel. A partir daí, fui atrás de livros e conversas com quem conhecia a obra desse gênio.

“O cenário é um espaço ritual onde acontece essa ação que tenta dar suporte ao ator”, conheça o cenógrafo do espetáculo Bispo e saiba sobre mais a concepção da peça

Um dos cenógrafos mais requisitados da cena teatral baiana, Zuarte Júnior integra o Coletivo Bispo e é responsável pelos cenários das duas montagens do Espetáculo Bispo. Formado pela escola de Belas Artes da UFBA, Zuarte já atuou como cenógrafo, aderecista ou figurinista em mais de duzentos espetáculos, tendo também atuação em cenários de dança e shows. Ao Blog do Coletivo Bispo, ele falou sobre a profundidade da obra do artista plástico Arthur Bispo do Rosário e sobre as intenções da equipe em montar um cenário que fosse inspirado, mas sem tentar reproduzir as criações de Bispo.

Foto Diego Souza

Foto Diego Souza

Blog do Coletivo Bispo: Como foi a experiência de fazer um novo cenário para a nova montagem do espetáculo?

Zuarte Júnior: É uma experiência sempre rica, porque nós fizemos o espetáculo na primeira montagem há 15 anos. Pensamos em mudar e fomos para outro lugar com relação a ambiência, que foi pensada para retratar o suprassumo do que foi Bispo e ser a síntese do que ele fez enquanto estava por aqui, sempre com uma ideia muito voltada para o espiritual. Ficou algo que eu queria muito, que é a coisa mais bruta, o sublime do que se abstrai ou se subtrai da obra de Bispo. Queria que o cenário refletisse a força de Bispo, que podia perceber e transformar os materiais que ele tinha à mão em qualquer coisa. Para ele tudo poderia valer a pena ser costurado ou ser bordado.

Blog do Coletivo Bispo: Fale mais sobre o conceito que usou para a construção da cenografia da peça.

Zuarte Júnior: Para mim o conceito muito claro era isso, é como se fosse o bruto e o sublime. É o caso das lonas, por exemplo, que aparentemente é uma coisa rústica, que envolve a plateia, mas que tem um fio dourado, um fio de ouro. É exatamente para trazer a presença do espiritual na obra dele. A gente não quis de maneira nenhuma retratar nada que ele tivesse feito e nem a maneira que ele pudesse fazer. O cenário é a gente fazendo, muito claramente, com uma alusão muito específica do que é ter essa matéria, do que é ter esse espaço dramático, para ser transformado na passagem desse ser na terra. Ele que dizia que fazia as coisas para a grande transformação, para o dia do juízo final, para a salvação dele próprio; era por tudo isso que ele criava esse mundo em miniatura. Então, quis dar esse caráter religioso, de uma certa forma, espiritual. O cenário é um espaço ritual onde acontece essa ação, que tenta dar suporte ao ator para que ele chegue a uma comunicação mais inteira, é algo no sentido mais assim: a busca, a pretensão e uma organicidade com os elementos, com as obras. Tendo assim o fio, que seria o próprio fio do Bispo, do que ele costurou, do que ele costuraria. Mas sem ter o compromisso de ter uma relação direta do que foi a obra dele, mas no sentido de dar suporte e apoio ao ator que está veiculando a memória desse ser.

Blog do Coletivo Bispo: Quais são os motivos que você indica para um espectador ir assistir Bispo?
Zuarte Júnior:
Acho que as pessoas devem assistir Bispo por vários motivos. Primeiro, para saber que esse ser teve estadia aqui entre nós. Segundo, pelo ator, porque João Miguel faz com que a gente visite áreas inusitadas, lugares não óbvios do que é uma interpretação. Pelo fazer teatro, pelo que eu acompanho de muitas montagens, de muitos atores, eu acho esse ponto muito particular no João, de que ele entra em um labirinto interno nele, nas intenções dele, mas com fluidez muito grande e que a gente vai junto. Acho que esses dois motivos são grandes. Mas além disso, é um espetáculo conduzido por uma equipe que é um coletivo. E a gente trabalha muito coletivamente mesmo, e um vai somando com a coisa do outro. É uma interferência muito conjunta de luz com cenário, com figurino, com trilha, então a gente opina de uma forma muito aberta, muito “irmanada”. Então, esses são motivos mais do que satisfatórios para ir assistir Bispo.